Os preços mais elevados do petróleo tendem a sustentar o dólar e a manter o euro sob pressão, segundo Kit Juckes, do Societe Generale. Ele ressalta a conexão entre os mercados de energia e o câmbio, observando que, quando o petróleo Brent esteve próximo dos níveis atuais no início de 2022, o EUR/USD registrou um declínio acentuado, saindo de 1,1300 para 0,9500.
O Brent voltou à região de US$ 122 por barril, um patamar observado pela última vez no primeiro trimestre de 2022. Juckes afirma que, caso aumentem os temores dos investidores quanto à possibilidade de o atual cessar-fogo evoluir para um novo conflito e de a oferta global de petróleo sofrer ainda mais pressão, o dólar poderá ganhar força adicional. Nesse cenário, o EUR/USD poderia recuar abaixo da mínima de 1,1400 registrada no início do conflito.
O Societe Generale ainda projeta que o EUR/USD encerre o ano em 1,1300. De acordo com Juckes, há pouca evidência de resistência generalizada de investidores aos ativos dos EUA, e os principais fatores que determinam as taxas de câmbio ao longo do tempo continuam sendo a força da economia norte-americana e a combinação geral das políticas fiscal e monetária. Ele acrescenta que as preferências de um único líder político têm menor impacto do que esses fundamentos mais amplos.
Ele também alerta que um conflito mais prolongado poderia intensificar a escassez de energia, elevar as tensões geopolíticas e manter os preços do petróleo altos por mais tempo. Para ele, esse ambiente pode ser suficiente para tirar as moedas de suas faixas recentes e provocar um movimento mais expressivo do dólar.
O EUR/USD não recuou mais na última sessão, mas Juckes acredita na possibilidade de um novo teste da mínima do ano, próxima a 1,14, nos próximos dias e semanas.