O preço do cobre avançou acentuadamente, impulsionado pela combinação entre a escassez da oferta física e a incerteza em relação às tarifas de importação dos EUA. Em Londres, o metal alcançou sua maior cotação em dois meses, aproximando-se de US$ 14.000 por tonelada, enquanto os operadores avaliavam as implicações dos volumes de remessas elevados para os Estados Unidos, antes de uma decisão sobre as tarifas aguardada por parte do presidente Trump.
O fluxo de material para os portos dos EUA tem sido notável. Em julho, mais de 200.000 toneladas desembarcaram no país, marcando o maior volume mensal já registrado nos dados de transporte disponíveis. Esse movimento reduziu os estoques em outras regiões e intensificou a pressão sobre um mercado já restrito.
A Bolsa de Metais de Londres também vem mostrando sinais de forte aperto no curto prazo. O aprofundamento da estrutura de backwardation sobre os contratos futuros sinaliza a disposição dos compradores em pagar um prêmio pela entrega imediata, refletindo a preocupação de que a oferta prontamente disponível possa ser insuficiente. A produção limitada das minas deixou o mercado ainda mais vulnerável a eventuais interrupções ou aumentos inesperados de demanda.
Apesar de a política tarifária ter potencial para modificar os fluxos comerciais globais, ela não expande a oferta de cobre disponível no mercado. Consequentemente, a reação dos preços vem sendo influenciada tanto pela escassez física quanto pela incerteza política.
O cobre apresentou uma alta de aproximadamente 12% no ano, refletindo especulações sobre medidas comerciais e um otimismo mais amplo associado à transição energética e à demanda por infraestrutura voltada à inteligência artificial. Ainda assim, surgiram alguns sinais de desaceleração no consumo chinês diante da persistência dos preços elevados, indicando que níveis mais altos podem, eventualmente, pesar sobre a demanda.