Na quarta-feira, o Ouro (XAU/USD) conseguiu recuperar parte das perdas expressivas registradas no dia anterior. O metal precioso avançou cerca de 1,65%, sendo negociado próximo a US$ 5.180 no momento da última atualização. Esse movimento recente parece ser apoiado por uma pausa no viés de alta do dólar americano, que vinha acumulando ganhos consistentes nos últimos dois dias.
Na sessão anterior, o mercado observou uma liquidação intensa, com o Ouro caindo 4,4% e a Prata (XAG/USD) despencando aproximadamente 8,4%. Esse declínio foi impulsionado, principalmente, pelo fortalecimento do dólar americano, que pressionou os preços dos metais para baixo. O rompimento dos suportes técnicos acionou ordens de stop-loss e liquidações de curto prazo que ampliaram a queda. Ainda assim, o recuou não se sustentou por muito tempo, em meio aos conflitos geopolíticos em curso e ao aumento da incerteza econômica, que continuaram oferecendo suporte à demanda por Ouro como ativo de proteção.
O cenário geopolítico permanece tenso devido à escalada das tensões no Oriente Médio, que já ultrapassa seu quinto dia. A intensificação das ações militares dos EUA e de Israel contra o Irã, resultou em ataques retaliatórios com mísseis e drones, deixando a região ainda mais instável. Esses desdobramentos contribuíram para a elevação dos preços da energia, especialmente com as interrupções nos fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz, alimentando temores com a inflação ao redor do mundo.
Em resposta, os mercados estão ajustando as expectativas quanto à política monetária dos EUA. O mercado antecipa uma flexibilização de pelo menos 50 pontos-base até dezembro, o que poderia resultar em menor atratividade para ativos sem rendimento, incluindo o Ouro . Além disso, os investidores estão atentos aos próximos indicadores econômicos dos EUA, como relatórios de emprego e índices do setor de serviços, que devem influenciar as perspectivas de política monetária do Federal Reserve.
Do ponto de vista técnico, a tendência de curto prazo do Ouro segue incerta, com a resistência situada em torno de US$ 5.200 e o suporte entre US$ 5.000 e US$ 5.100. O índice de força relativa revela sinais de estabilização após se aproximar da região de sobrevenda, enquanto os indicadores de momentum indicam uma redução da pressão vendedora. Mesmo com a volatilidade recente, o Ouro permanece atuando como ativo de proteção contra a inflação e os riscos geopolíticos, apoiado pela expansão das reservas dos bancos centrais e pela relação inversa com o dólar americano.