O Brown Brothers Harriman (BBH) avalia que o impasse entre os EUA e o Irã no Estreito de Ormuz segue dando suporte ao petróleo Brent e sustentando a resiliência do dólar americano, embora a instituição entenda que a fase mais grave do choque energético provavelmente já passou. Com os rendimentos do Tesouro dos EUA em alta, o banco projeta que os diferenciais de juros devem ajudar a manter o índice do dólar americano em uma ampla faixa entre 96 e 100 nas próximas semanas.
Os preços do petróleo seguem elevados, visto que os mercados estão atentos a sinais de desescalada na região. O Brent avançou por cinco sessões consecutivas e está sendo negociado acima de US$ 107 por barril, perto de seu nível mais alto desde o início de abril, apesar de ainda estar abaixo da máxima observada em março, em torno de US$ 120. O movimento intensificou a pressão sobre os mercados globais de títulos, onde os rendimentos continuam a subir à medida que os investidores ajustam as expectativas quanto à política monetária dos bancos centrais.
O BBH argumenta que a interrupção ainda é séria, mas não necessariamente sem prazo definido. A extensão do cessar-fogo indica que os formuladores de políticas buscam evitar um confronto mais amplo. Paralelamente, o banco considera que a disputa de navegação em torno do Estreito de Ormuz está criando incentivos para um acordo prático, já que uma interrupção prolongada implicaria custos econômicos para todos os lados envolvidos.
O banco também ressalta o diferencial de juros como um fator-chave de sustentação para o dólar. Rendimentos mais elevados nos EUA em relação a outras economias centrais geralmente atraem capital para ativos em dólar, reduzindo o espaço para uma depreciação mais consistente da moeda. Como resultado, o BBH estima que o dólar deve permanecer lateral, em vez de engatar uma tendência direcional mais definida.
O foco dos investidores agora se volta para a leitura final de abril do Índice de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan, que pode oferecer novos indícios sobre a forma como as famílias estão reagindo ao aumento dos custos de energia e ao ambiente financeiro mais restritivo.