Os estrategistas do Société Générale, Kit Juckes e Olivier Korber, avaliam que a trajetória de valorização do dólar permanece consistente, apoiada pelo crescimento robusto dos EUA, pelas pressões inflacionárias persistentes e por uma mudança favorável nos termos de troca relativos em comparação com a Europa e a Ásia. Apesar de a moeda ter perdido parte do ritmo após uma forte alta, a expectativa dos estrategistas é de retomada do movimento ascendente no segundo semestre de 2026.
Segundo eles, a economia dos EUA segue apresentando um desempenho superior ao de seus pares, particularmente na Europa e em partes da Ásia. Essa vantagem foi ampliada devido à elevação dos preços do petróleo, que provocaram uma melhora nos termos de troca para os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que representaram um entrave para as economias importadoras de energia. Na visão deles, essa combinação contribuiu para reforçar a tese de um dólar mais resiliente.
Eles destacam que a moeda norte-americana já acumulou ganhos frente à maioria das principais moedas e a quase todas as do grupo do G10, com apenas algumas moedas associadas a recursos naturais tendo desempenho superior. A mensagem mais ampla é de um retorno do mercado a um ambiente de “dólar forte”, à medida que os investidores reavaliam as perspectivas relativas para crescimento e política monetária.
Olhando adiante, o Société Générale acredita que o dólar deve continuar sustentado até o fim do ano. A instituição observa que apenas um dos principais motores do crescimento dos EUA — os preços do petróleo — começa a mostrar sinais de alívio. Em contrapartida, os investimentos relacionados à inteligência artificial e o apoio fiscal continuam oferecendo suporte à economia norte-americana.
Diante desse conjunto de fatores, os estrategistas acreditam que ainda existe margem para mais valorização do dólar, mesmo que o ímpeto de curto prazo tenha se moderado. A leitura mais ampla permanece a de que a força da moeda está fundamentada na resiliência dos EUA, e não em movimentos temporários do mercado.