As tensões renovadas envolvendo o Estreito de Ormuz acrescentaram uma nova camada de incerteza aos mercados globais, impulsionando o petróleo Brent quase US$ 10 acima de sua mínima recente e pressionando os ativos sensíveis ao risco. O dólar norte-americano também apresentou leve valorização, à medida que os investidores buscaram proteção diante do receio de que a interrupção poderia se estender para além dos mercados de energia.
O Brown Brothers Harriman afirmou que a recente escalada reacendeu preocupações sobre o transporte marítimo pela estreita rota, após a Marinha dos EUA apreender um navio iraniano no Golfo de Omã e Teerã sinalizar uma possível relatiação. Ainda assim, o banco avalia que a fase mais aguda do choque energético pode já ter passado, embora a volatilidade nas cotações do petróleo e nas rotas de navegação possa persistir.
A instituição acredita que as implicações mais amplas no mercado tendem a ser limitadas por fatores políticos e pelos fundamentos econômicos. Na sua visão, a postura dos EUA em relação à navegação no Estreito de Ormuz poderia, eventualmente, contribuir para acelerar a reabertura do corredor, ao elevar os custos econômicos para todos os envolvidos. Somado a isso, os diferenciais de juros favoráveis aos EUA devem manter o Índice do Dólar (DXY) dentro de um intervalo amplo entre 96 e 100, semelhando ao comportamento observado durante a maior parte do ano passado.
A Brown Brothers Harriman também destacou relatos de que os Emirados Árabes Unidos estariam avaliando a possibilidade de estabelecer uma linha de swap cambial com o Federal Reserve ou com o Tesouro como forma de proteção contra um agravamento do conflito envolvendo o Irã. A iniciativa chama a atenção considerando que os Emirados Árabes Unidos são um grande exportador de energia e possuem finanças externas sólidas.
O banco ressaltou que o fato de um país como essas características considerar um acordo bilateral com os EUA reforça o papel central do dólar no sistema financeiro global. Mesmo em meio ao estresse geopolítico, o dólar segue como o principal meio de troca e referência nas transações comerciais e nas finanças internacionais.