O West Texas Intermediate avançou para US$ 94 por barril, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pelo aumento dos receios com a segurança da oferta global de petróleo. No momento da redação deste artigo, o índice de referência registrava um ganho de 2,5% no dia, refletindo um mercado cada vez mais orientado pelos riscos geopolíticos do que pelas tendências mais amplas de demanda.
O sentimento do mercado enfraqueceu após o Comando Central dos EUA informar que o Irã lançou mísseis balísticos em direção ao Kuwait e ao Bahrein. Segundo autoridades norte-americanas, os mísseis não atingiram os alvos pretendidos, mas a resposta veio com ataques das forças dos EUA à ilha iraniana de Qeshm. O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a operação e advertiu que poderia retaliar contra qualquer país que permita o uso do seu território ou espaço aéreo para ataques ao Irã.
A última escalada complicou o cenário diplomático já delicado entre Washington e Teerã. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as negociações continuam em curso e que o Irã concordou em não desenvolver uma arma nuclear. Por outro lado, a mídia iraniana relatou que os contatos entre as partes foram interrompidos por vários dias, levantando dúvidas sobre a possibilidade de um avanço no curto prazo.
Para o mercado petrolífero, a principal preocupação continua sendo o risco de uma interrupção dos fluxos de energia pelo Golfo Pérsico — uma das rotas de abastecimento mais importantes do mundo — devido a um conflito prolongado. Analistas observam que, caso as negociações permaneçam estagnadas, os compradores poderão ter que depender mais dos estoques globais de petróleo bruto, elevando ainda mais a pressão sobre um mercado já apertado.
Bob Savage, analista do BNY, afirmou que os riscos atrelados ao conflito e à energia passaram a ocupar o centro das atenções nas perspectivas macroeconômicas. Ele acrescentou ainda que um movimento sustentado acima de US$ 90 por barril poderia começar a impactar as expectativas para o crescimento global e as decisões de política monetária dos bancos centrais.
Além disso, o petróleo recebeu suporte dos dados mais recentes de estoques dos EUA. O Instituto Americano de Petróleo (API) reportou um declínio de 6,75 milhões de barris nos estoques de petróleo bruto na semana encerrada em 29 de maio, resultado significativamente superior à projeção do mercado, que previa uma queda de 3,6 milhões de barris. A queda registrada na semana anterior foi revisada para 2,8 milhões de barris.
No momento, os investidores aguardam a divulgação dos números oficiais da Administração de Informações de Energia (EIA), prevista para mais tarde na quarta-feira, em busca de uma confirmação do aperto na oferta. Até lá, os desdobramentos geopolíticos devem continuar sendo o principal fator direcionando os preços do petróleo.