A aceleração da inflação nos EUA, somada aos preços elevados da energia, está dificultando o caminho do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, para conquistar apoio para cortes antecipados nos juros, segundo a estrategista do Commerzbank, Antje Praefcke. Na avaliação dela, a combinação entre pressões inflacionárias mais fortes e risco geopolítico deve manter o Fed cauteloso, enquanto os formuladores de políticas seguem avaliando as perspectivas para o crescimento e a inflação.
A principal preocupação é que os mercados de energia continuem vulneráveis caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por um período prolongado. Essa interrupção poderia sustentar os preços do petróleo em níveis elevados ou até impulsioná-los ainda mais, ampliando a inflação em um momento em que as pressões inflacionárias nos EUA já demonstram persistência. Esse cenário reduziria a margem para Warsh defender uma abordagem de política monetária mais acomodatícia logo após assumir o cargo.
Praefcke afirmou que os bancos centrais podem, em um primeiro momento, tratar choques energéticos como eventos temporários, mas essa tese é enfraquecida se a inflação continuar subindo ou se as expectativas inflacionárias dos consumidores começarem a aumentar. Nesse cenário, os membros hawkish do Comitê Federal de Mercado Aberto ganhariam argumentos para resistir ao afrouxamento, restringindo a margem de manobra de Warsh.
Quanto mais tempo a inflação se mantiver elevada, mais difícil será justificar reduções nas taxas de juros. Praefcke também destacou que os dados recentes de inflação enfraqueceram a percepção de que Warsh conseguirá promover uma mudança rápida para custos de crédito mais baixos. Por ora, o dólar segue encontrando sustentação, conforme os investidores reanalisam a trajetória da política monetária do Fed e a possibilidade de que a inflação persistente adie qualquer movimento de afrouxamento.