O cobre superou o desempenho dos demais metais básicos nesta semana, impulsionado por um ambiente macroeconômico mais favorável e pela persistência das preocupações com a oferta global. Segundo os estrategistas do Commerzbank, o sentimento melhorou após a redução das preocupações envolvendo o Estreito de Ormuz, diminuindo o risco de uma desaceleração mais ampla do crescimento global e da demanda industrial.
O banco também destacou que as limitações operacionais persistentes na atividade mineradora seguem conferindo sustentação aos preços. O Chile, maior produtor de cobre do mundo, reportou uma recuperação mensal na produção de minério em março, com um avanço para 434.300 toneladas, ante a mínima de nove anos de 378.300 toneladas observada em fevereiro. Ainda assim, o volume se manteve 9% abaixo do nível de um ano antes, em comparação com o recuo de 4,9% em fevereiro.
As dificuldades de oferta não se restringem ao Chile. A mina de Grasberg, na Indonésia, um dos ativos mais importantes do setor, opera com apenas 40% a 50% da capacidade, reforçando os temores de que a disponibilidade operacional siga limitada no curto prazo. Esses desenvolvimentos fortaleceram a percepção de que o principal gargalo do mercado de cobre segue concentrado na etapa de extração (upstream), e não na capacidade de refino.
A combinação entre a melhora no sentimento de mercado e a restrição da oferta contribuiu para a valorização de quase 5% do cobre na Bolsa de Metais de Londres nesta semana, superando com folga os outros metais industriais. Embora a redução do risco geopolítico possa favorecer as expectativas de demanda, ela também tende a aliviar parte da pressão sobre os mercados de ácido sulfúrico, o que, por sua vez, poderia melhorar as condições de processamento do cobre.
O Commerzbank afirmou que o cenário atual sugere que os riscos relacionados à oferta na mineração podem colocar em xeque a projeção do Grupo Internacional de Estudos do Cobre de um avanço de 1,6% na produção neste ano. Com o volume produzido ainda vulnerável nos principais polos produtores, o balanço de riscos segue favorecendo um cenário de oferta mais restrita para o cobre.