Jane Foley, estrategista sênior de câmbio do Rabobank, afirmou que os dados fracos dos setores industrial e de serviços da França e da Alemanha enfraqueceram a confiança nas perspectivas de crescimento da Zona do Euro e levaram os investidores a reavaliar até que ponto o Banco Central Europeu (BCE) poderá continuar a sua abordagem de aperto monetário. O cenário econômico mais fraco aumentou a pressão sobre o euro, que chegou a recuar brevemente abaixo de US$ 1,16 após a divulgação mais recente do PMI francês.
Dados preliminares de maio revelaram uma retração acentuada do PMI composto da França, que caiu de 48 no mês anterior para 44, o menor nível em 66 meses, sinalizando um ambiente de contração tanto no setor industrial quanto no de serviços. Foley destacou que a intensidade da deterioração levou os mercados a questionarem se o BCE ainda precisará elevar os juros tanto quanto o previsto anteriormente para conter a demanda diante de choques do lado da oferta.
Segundo o Rabobank, a precificação atual do mercado aponta para pouco mais de 50 pontos-base de aperto adicional do BCE nos próximos seis meses. Entretanto, a instituição agora enxerga um risco relevante de que o BCE opte por apenas uma alta de 25 pontos-base este ano. Qualquer redução adicional nas expectativas de elevação de juros tende a pressionar o euro, principalmente se os dados da Zona do Euro continuarem decepcionando.
Além disso, a estrategista ressaltou que fatores externos poderiam continuar pesando sobre a moeda. Na falta de avanços encorajadores em relação a um acordo de paz no conflito com o Irã, a demanda por segurança no dólar americano pode levar o EUR/USD para a região de US$ 1,15 no curto prazo. Caso as tensões diminuam e o Estreito de Ormuz seja gradualmente reaberto no próximo mês, o par poderá apresentar alguma recuperação.
Ainda assim, o Rabobank acredita que o potencial de valorização da moeda europeia permanecerá limitado pelo crescimento regional mais lento e pelos ventos contrários associados à energia. Com base nesse cenário, a instituição não projeta que o EUR/USD alcance a marca de US$ 1,20 este ano.