O dólar americano interrompeu a sua recente trajetória de alta após o Índice do Dólar Americano (DXY) encontrar resistência em torno de 100, enquanto a diminuição das tensões no Oriente Médio e a queda dos preços do petróleo para aproximadamente US$ 90 reduziram parte do suporte à moeda como ativo de proteção. Ainda assim, o dólar segue amparado por uma revisão mais hawkish das expectativas para a política monetária do Federal Reserve.
Os participantes do mercado vêm reduzindo cada vez mais as apostas em uma flexibilização no curto prazo, e essa mudança de percepção tem contribuído para sustentar o dólar. A força da moeda reflete a avaliação de que os riscos inflacionários seguem persistentes o suficiente para adiar qualquer afrouxamento da política monetária, sobretudo com os mercados de energia ainda vulneráveis a uma nova volatilidade.
O próximo teste relevante para essas expectativas será a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA referente a maio. O relatório fornecerá uma leitura importante sobre se as pressões inflacionárias estão desacelerando em ritmo rápido o suficiente para sustentar uma abordagem menos restritiva do Fed ou se a inflação permanece alta demais para tranquilizar o mercado.
Na sequência, o foco se volta para a reunião de 17 de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto, que vem sendo considerada decisiva para a orientação da política monetária. Os investidores seguem atentos a sinais de que as autoridades possam abandonar o seu viés de flexibilização, especialmente após os últimos números do mercado de trabalho sinalizarem que a economia continua robusta.
O relatório Nonfarm Payrolls da semana passada, que superou as expectativas, fortaleceu essa visão e aumentou a probabilidade de o Fed pelo menos retirar o seu viés de flexibilização na reunião. Por enquanto, o dólar parece estar em uma fase de consolidação e não de reversão, com o equilíbrio entre o alívio geopolítico e a incerteza sobre a política monetária ainda favorecendo a moeda americana.